Conta-se que há muitos anos, numa terra distante, nascia todo fim de tarde, à luz do crepúsculo, uma única rosa no alto de uma montanha espinhosa que concedia a quem a possuísse o poder da felicidade. Contudo, rezava a lenda que a rosa só ofereceria tamanho poder enquanto aberta. Dizia, além disso, que apenas abrir-se-ia a flor da felicidade ao colocar para fora toda a tristeza contida em cuja pessoa almejasse alcançar a felicidade eterna.
Durante séculos a população sonhou com essa rosa, mas ninguém se aventurava a atravessar os espinhos encravados em torno da montanha. Até que, certo dia, alguém se lançou ao funesto desafio.
Quão triste fora seu grito ao espetar-se no primeiro espinho ao longo de sua jornada! Mais tarde aquele braço seria amputado para que o veneno dos espinhos não se alastrasse.
Ultrapassados todos os desafios, o temerário aventureiro alcançou a rosa e chorou como uma criança pelo braço machucado. A rosa, por sua vez, sentindo toda aquela tristeza se esvaindo do coração do homem, abriu-se pronta para realizar seu mais profundo desejo. O homem, de origem humilde, não pensara mais de uma vez ao afirmar com toda sua convicção que aquilo do que ele mais precisava era galeões de ouro. Proferido, o desejo se realizou pelo poder da flor.
Voltando a sua casa, o homem fora feliz por vários dias, até que então, todo o dinheiro acabou e o aventureiro se dispôs mais uma vez ao terrível desafio. Mais uma vez, espetou-se num espinho e chorou por mais um membro de seu corpo que seria amputado. Desejou mais ouro e gastou cada galeão adquirido. Aquela cena se repetiria inúmeras vezes, até que o aventureiro, mais tivesse órgãos pelos quais chorar do que galeões de ouro para fruir. Mas a sede do homem é insaciável, e seus excessos tornam-se sempre em sua perdição.
O homem, mais uma vez, parte em busca do que lhe entristece. Mas, dessa vez, não consegue alcançar seu objetivo, pois se espeta mais uma vez, porém, diretamente no coração. Contudo, a essa altura, o corajoso aventureiro tornara-se milionário, mas, incapaz de desfrutar de seu tão almejado dinheiro, pois, leva-se ao paraíso apenas as riquezas espirituais.

