terça-feira, 19 de maio de 2009

O preço da riqueza

Conta-se que há muitos anos, numa terra distante, nascia todo fim de tarde, à luz do crepúsculo, uma única rosa no alto de uma montanha espinhosa que concedia a quem a possuísse o poder da felicidade. Contudo, rezava a lenda que a rosa só ofereceria tamanho poder enquanto aberta. Dizia, além disso, que apenas abrir-se-ia a flor da felicidade ao colocar para fora toda a tristeza contida em cuja pessoa almejasse alcançar a felicidade eterna.

Durante séculos a população sonhou com essa rosa, mas ninguém se aventurava a atravessar os espinhos encravados em torno da montanha. Até que, certo dia, alguém se lançou ao funesto desafio.

Quão triste fora seu grito ao espetar-se no primeiro espinho ao longo de sua jornada! Mais tarde aquele braço seria amputado para que o veneno dos espinhos não se alastrasse.

Ultrapassados todos os desafios, o temerário aventureiro alcançou a rosa e chorou como uma criança pelo braço machucado. A rosa, por sua vez, sentindo toda aquela tristeza se esvaindo do coração do homem, abriu-se pronta para realizar seu mais profundo desejo. O homem, de origem humilde, não pensara mais de uma vez ao afirmar com toda sua convicção que aquilo do que ele mais precisava era galeões de ouro. Proferido, o desejo se realizou pelo poder da flor.

Voltando a sua casa, o homem fora feliz por vários dias, até que então, todo o dinheiro acabou e o aventureiro se dispôs mais uma vez ao terrível desafio. Mais uma vez, espetou-se num espinho e chorou por mais um membro de seu corpo que seria amputado. Desejou mais ouro e gastou cada galeão adquirido. Aquela cena se repetiria inúmeras vezes, até que o aventureiro, mais tivesse órgãos pelos quais chorar do que galeões de ouro para fruir. Mas a sede do homem é insaciável, e seus excessos tornam-se sempre em sua perdição.

O homem, mais uma vez, parte em busca do que lhe entristece. Mas, dessa vez, não consegue alcançar seu objetivo, pois se espeta mais uma vez, porém, diretamente no coração. Contudo, a essa altura, o corajoso aventureiro tornara-se milionário, mas, incapaz de desfrutar de seu tão almejado dinheiro, pois, leva-se ao paraíso apenas as riquezas espirituais.

Soneto do Amor Eterno


Razão que é mais forte no instante do ato,
Aceita em mim o que no peito encerra;
Perdoa o ousado e sincero rarefato,
Hoje que como deusa a tenho em terra!

Amor de que o coração não descansa,
Essência que não cessa, mas proibida,
Larga-me se o que há é só lembrança;
Leva-me se eu não a tiver mais em vida!

Ainda que me negue eternamente,
Taciturno louvar-te-ei até a morte
E ter-te n'alma irei sobreeminente!

A cada vez que me é, pois, rejeitado,
Mais está em mim o sentimento forte,
Obstinado que é pelo objeto amado!

Soneto do Vampiro


Réprobos desde o início desta vida
- Ser eterna quão é vil tem esperança.
 Na alma, uma postura tão temida; 
No rosto, o amor que o tempo não alcança! 

Mata! Pois a vida ainda mais condena 
O sangue que cobiço desde a morte! 
Morto em um caixão - uma vida plena; 
Século após século - vida forte! 

Seca-me, Astro, luminoso deus, 
Caso eu seja entre os homens psicopata 
Com mais indigno raio dentre os teus! 

Se de ouro permaneço eu bravo e são, 
Morra já por uma mesquinha prata 
De estacada sutil no coração!