Era uma vez, um jardim encantado... Nele, vivia uma bela ninfa de lindos cabelos longos, pele branca e macia e cheiro de maracujá que passava os dias a cuidar de rosas de todas as cores. Estas, por sua vez, devido ao toque angelical daquela que as cultivava, tornaram-se o coração do jardim e, desse modo, o da própria ninfa.
A ninfa era uma criatura femininamente linda, no entanto, não conhecia o mundo além de seu próprio jardim, sendo assim, ingênua e pueril. Tamanha inocência fez com que a ninfa admirasse as pétalas e os perfumes oriundos das rosas sem nunca temer seus espinhos. E assim cresceu, até que, certo dia, vindo de terras longínquas, apareceu, em seu jardim encantado, um jardineiro.
O jardineiro era masculinamente duro, mas, ao ver a criatura perfeita residindo naquele jardim, apaixonou-se instantaneamente. Entretanto, com toda a malícia que alimentara dentro de si, ao longo dos anos, não sabia como lidar com aquele sentimento tão nobre que acabara de descobrir em seu peito fechado. A princípio, para impressionar a ninfa, o jardineiro esculpiu, nas árvores, lindas rosas e corações. A ninfa, então, encantada com seus dons, apaixonou-se pelo jardineiro e, a ele, e somente a ele, confiou suas lindas rosas.
As flores proporcionaram momentos de intensa felicidade ao jardineiro. Contudo, aquele homem não sabia se envolver com nada em que só havia bondade e não acreditava que aquelas cores e perfumes só o beneficiavam. Imaginava ter sido enfeitiçado pela bela ninfa e, confundindo a segurança daquele sentimento com uma prisão, resolveu fugir, amedrontado.
As rosas da ninfa já haviam se entrelaçado pelo corpo do jardineiro, tão amado. Assim, para sair dali e ir embora para sua terra, o homem pegara sua tesoura e começou a cortar os pés de rosas, enquanto a ninfa, desiludida e sem entender, chorava e pedia para que seu amor ficasse. Convicto de que tomava a atitude certa, o jardineiro partiu e, por um bom tempo, não se lembrara do jardim encantado.
Longos anos se passaram e, em sua terra, esculpiu novas árvores, cultivara outros jardins e conheceu diversos tipos de rosas. E todo aquele conhecimento, fez do jardineiro um homem mais amável. Conseguiu, por fim, entender que existe inocência na natureza, assim como maldade. E divergiu uma coisa da outra. Foi assim, que certo dia, lembrou-se do jardim encantado: a única perfeição verdadeira que acreditava ter conhecido em sua vida. A partir daí, tornou-se incapaz de tirar da cabeça a imagem daquela ninfa e, quando desta ela se fez ausente, fez presença no coração. E o jardineiro, arrependido, sentiu saudades... Saudades dos lindos cabelos longos, da pele branca e macia e do seu cheiro de maracujá... Saudades do seu jardim encantado, das cores e perfumes daquele lugar e, por fim, de todas as rosas que ali se encontravam.
Depois de tudo, então, o jardineiro voltou para o jardim encantado. Uma vez lá, encontrou tudo diferente... As rosas não eram as mesmas, os odores eram outros e as cores já não tão intensas. Procurando, o jardineiro encontrou a ninfa escondida atrás de rosas murchas que ele mesmo havia empilhado ao fugir. A ninfa então lhe explicou que, ao longo daqueles anos, tentara trazer outros jardineiros para seu jardim, mas que, assim como ele mesmo fizera, todos os outros despedaçaram suas rosas.
Conta-se, então, que o homem orou e pediu para que a ninfa não se fechasse à bondade, assim como ele fizera tanto tempo. Desejou que ela voltasse atrás e desse-lhe mais uma chance, pois só agora ele sabia tomar as atitudes necessárias para fazê-la feliz. Concluiu, finalmente, que não se deve brincar com as rosas de uma ninfa, uma vez que todo corte de sua tesoura ou arranhão dos espinhos nas flores existentes deixa cicatrizes.
Não se sabe ao certo, conta-se, se a ninfa foi capaz de cultivar novamente seu coração ou se passara o resto de sua vida mais temendo os espinhos que admirando a beleza de suas rosas.

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